William Bloom 

Na primeira parte deste livro o autor apresenta rituais completeos para a celebração dos mais importantes eventos da vida humana: nascimento, casamento e morte. Com estes fundamentos os leitores podem criar suas próprias cerimônias e lidar com elas de uma maneira muito própria e verdadeira.

A segunda parte trata do ciclo anual de festivais assinalados pelos ritmos de nossa ecologia planetária. William Bloom nos descreve detalhadamente como realizar meditações do ciclo lunar com a finalidade de serviço espiritual e transformação pessoal. Ele também nos dá um plano de fácil compreensão para o trabalho com os Grandes Festivais Solares dos Solstícios e Equinócios, que celebram nosso ambiente cósmico, e com os Festivais do Fogo – Imbolc, Beltane, Lammas e Samhain – que honram nosso relacionamento com os reinos do devas, das fadas e dos anjos.

“Trabalhar com os rituais sagrados pode ser uma experiência fortalecedora, que nos introduz a uma nova dignidade espiritual.”

14 x 21 cm / 152 pg / ISBN 85-85464-11-9 / esgotado no momento, nova edição prevista para meados de 2012

A lenda viva de Wesak, pg 95

A lua cheia de Touro é também conhecida como Festival de Wesak e é reconhecida no Oriente como o aniversário de Buda. Muitas pessoas acham que é o ponto alto espiritual do ano. De acordo com muitos ensinamentos esotéricos, durante Wesak todos os seres iluminados e verdadeiros mestres espirituais cooperam para invocar a grande bênção anual para a Terra. Existe uma linda lenda descrita por C. W. Leadbeater, Alice Bailey e muitos outros, sobre uma cerimônia que acontece nos Himalaias durante Wesak. Seres humanos perfeitamente integrados e liberados, livres de karma e da necessidade de encarnar – nossos verdadeiros mestres espirituais e gurus – se congregam nesse determinado vale. Usando padrões de dança e sons, eles produzem uma intensa meditação evocativa. A invocação é então focalizada e recebida pelo Cristo trabalhando juntamente com Buda. Acreditando-se ou não na lenda, ela tem uma qualidade mística que fala diretamente ao coração:

Existe um vale de elevada altitude aos pés das cordilheiras Himalaia/Tibete, cercado de altas montanhas por todos os lados menos o nordeste, onde há uma pequena passagem. O vale tem, portanto, a forma de uma garrafa, com o gargalo virado para o nordeste, e ele se alarga bastante em direção ao sul. Na parte mais ao norte, perto do pescoço da garrafa, encontra-se uma vasta rocha achatada. Não existem árvores ou arbustos no vale, que é coberto por uma espécie grosseira de relva, mas as encostas das montanhas são cobertas de árvores.

Na época da lua cheia de Touro, peregrinos vindos de todos os distritos vizinhos começam a chegar; os homens santos e os lamas se encaminham para o vale e se posicionam nas partes ao sul e e ao meio, deixando a parte nordeste relativamente vazia. Aí, diz a lenda, reúne-se o grupo daqueles Grandes Seres que são os Encarregados na Terra do Plano de Deus para o nosso planeta e para a humanidade… Os estudiosos do esoterismo podem chamá-Los os Mestres da Sabedoria, a Hierarquia Planetária… Ou podemos chamá-los os Rishis das escrituras hindus, ou a Sociedade das Mentes Iluminadas… Eles são os Grandes Intuitivos e os Grandes Companheiros que, em Sua sabedoria, amor e conhecimento, servem de muralha de proteção em volta de nossa raça, e que querem nos ajudar passo a passo (como Eles mesmos foram guiados no Seu tempo) da escuridão para a luz, do irreal para o real, da morte para a imortalidade. Esse grupo de conhecedores da divindade são os participantes principais do Festival de Wesak. Eles se alinham na ponta nordeste do vale, em círculos concêntricos, e se preparam para um grande ato de serviço…

À medida que se aproxima o momento da lua cheia, um silêncio começa a tomar conta da multidão e todos olham em direção ao nordeste. Começam a fazer certos movimentos rituais, nos quais os Mestres agrupados e seus discípulos de todos os graus adotam posições simbólicas e formam, no chão do vale, símbolos significativos como a estrela de cinco pontas, com o Cristo colocado no ponto mais alto; ou um triângulo, com o Cristo colocado no ápice; ou a cruz, e outras formas conhecidas, todas contendo um significado profundo e potente. Tudo isso acontece ao som da entoação de determinadas palavras e frases esotéricas. A expectativa da multidão que observa e espera vai aumentando, e a tensão se torna real e crescente. Parece que todo o grupo sente uma estimulação, ou potente vibração, que tem o efeito de acordar a alma de todos os presentes, fundindo o grupo num só todo, elevando a todos num só grande ato de pedido espiritual, de prontidão e de expectativa…

O canto e o entrelaçamento rítmico tornam-se mais fortes e todos os participantes e espectadores elevam seus olhos para o céu, na direção da parte estreita do vale. Apenas alguns minutos antes da hora exata da lua cheia, bem lá longe, pode-se ver um pequeno ponto brilhante no céu. Ele se aproxima mais e mais, e sua claridade, e a definição de seu contorno vão aumentando, até que a forma do Buda pode ser vista, sentado na posição de pernas cruzadas, vestido com Seu manto cor de açafrão, banhado em luz e cor, com Sua mão estendida abençoando. Quando ele chega ao ponto exatamente acima da grande pedra, pairando no ar acima das cabeças dos três grandes Senhores, um grande mantra, entoado somente uma vez por ano durante o festival, é entoado pelo Cristo, e toda a multidão que está no vale se prostra com o rosto no chão. Esta invocação instaura uma tal vibração, ou corrente de pensamento, que sua potência se eleva do grupo de aspirantes, discípulos e iniciados que a entoam e atinge o próprio Deus. Este é o momento supremo do intenso esforço espiritual que transcorreu durante o ano, e gera uma revitalização espiritual da humanidade e efeitos espirituais que duram pelos meses subseqüentes. O efeito da Grande Invocação é universal e cósmico, e serve para nos ligar com aquele centro cósmico de força espiritual de onde vem toda a criação. A bênção é dada e o Cristo – como Representante da humanidade – a recebe em confiança, para distribuí-la.

Desta maneira, assim diz a lenda, o Buda retorna uma vez por ano para abençoar o mundo, transmitindo, através do Cristo, uma vida espiritual renovada. Lentamente, então, o Buda se afasta e sua imagem diminui na distância, até que somente um fraco ponto de luz pode ser visto no céu, e depois desaparece.

Toda a bênção cerimonial, do momento em que o ponto aparece até o momento em que desaparece, dura apenas oito minutos. O sacrifício anual do Buda (porque não é fácil para Ele voltar) termina, e Ele volta mais uma vez àquele elevado local onde trabalha e espera. Ano após ano ele volta para abençoar; ano após ano a cerimônia se repete. Ano após ano Ele e Seu grande irmão, o Cristo, trabalham em íntima cooperação para o benefício espiritual da humanidade.